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Como Chicago quer ensinar planejamento urbano a adolescentes

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Uma graphic novel pretende atrair o público jovem com histórias cotidianas dos moradores de uma das maiores metrópoles americanas

Até meados dos anos 1930 alunos do oitavo ano de Chicago, nos Estados Unidos, estudavam em sala de aula um livro chamado “Wacker’s Manual”. A obra revelava plantas da metrópole americana, com objetivo de mostrar aos jovens as ideia de ordem, eficiência e higiene na cidade. Passados mais de cem anos desde a publicação do manual, uma arquiteta da cidade reproduziu sua ideia, agora no formato de histórias em quadrinhos. “No Small Plans”, feito pela Chicago Architecture Foundation, será distribuído entre as escolas da cidade como forma de despertar o interesse dos alunos pelo planejamento urbano. A fundação, dedicada a democratizar os conceitos de design e arquitetura, deu início a uma campanha de financiamento coletivo para angariar os recursos necessários à impressão dos livros. O livro é dividido em três partes, que falam do passado (1928), presente (2017) e futuro (2211) da cidade. Cada capítulo termina com mapas das áreas urbanas retratadas nas histórias e textos sobre os desafios do planejamento urbano. Na primeira delas, três amigos de diferentes raças e classes sociais lidam com a discriminação de transeuntes durante uma tarde em que decidem passear pelo centro da metrópole. Na segunda, a história de uma garota despejada de sua casa serve de pano de fundo para tratar de gentrificação. Na terceira, três adolescentes trabalham no conselho de planejamento urbano de Chicago e devem revisar propostas para o desenvolvimento de um bairro.

Para Gabrielle Lyon, vice-presidente de educação e experiência da Chicago Architecture Foundation, a obra é importante por quebrar algumas barreiras sobre o conhecimento do funcionamento da cidade. Segundo ela, o livro é especialmente importante para estudantes negros e de famílias pobres, matriculados em sua maioria em escolas com poucos recursos e oportunidades limitadas de interação com a política pública, porque os permitiria exercer a cidadania de maneira mais ampla. Segundo a declaração da arquiteta ao site Citylab, estatísticas mostram que são estudantes com esse perfil que, quando crescem, participam menos de eleições e mobilizações por causas coletivas. Para reverter esse quadro, a Chicago Architecture Foundation está trabalhando junto aos professores das escolas públicas locais para elaborar atividades a partir do conteúdo do livro, como participar de encontros entre políticos e cidadãos comuns. Iniciativas que aproximam jovens dos conceitos de planejamento urbano têm surgido também em outros lugares do mundo. Em São Paulo, por exemplo, o Sesc Pinheiros promove no mês de abril um curso de arquitetura para crianças. Entre os módulos, está a construção de uma cidade imaginária.

Link para matéria completa: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2017/04/07/Como-Chicago-quer-ensinar-planejamento-urbano-a-adolescentes

RBCM. Laboratório de Investigação do Espaço da Arquitetura. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Centro de Artes e Comunicação. UFPE . Recife — PE. (81) 2126.7362