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Começa a construção do Fórum Alternativo das Águas

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Encontro reunirá movimentos de todo o mundo que lutam contra privatização. Em SP, Assembleia Popular preparativa ocorrerá em setembro — e enfrentará entrega da Sabesp, a empresa pública que abastece o Estado

Por Inês Castilho

Um mapa dos conflitos e um diagnóstico dos problemas que a população enfrenta com relação à água, no estado de São Paulo, será apresentado na Assembleia Popular da Água que marcará o início dos trabalhos do comitê estadual do FAMA – Fórum Alternativo Mundial da Água – em São Paulo, dia 30 de setembro. A decisão foi tomada durante encontro que reuniu, nesta terça (29/8), representantes de dezenas de entidades que compõem o Coletivo de Luta pela Água, criado em plena crise hídrica, em janeiro de 2015, por 89 entidades.

O FAMA, a ser realizado em março de 2018, em Brasília, se contrapõe ao “8º Fórum Mundial da Água”, promovido por grandes grupos econômicos que defendem a privatização das fontes naturais e dos serviços públicos de água e também acontecerá em março, na capital federal.

Formado por entidades da sociedade civil e de movimentos populares e ambientais, nacionais e internacionais, o FAMA tem como objetivo tratar da água como direito, não um produto mercantil, e garantir debates que permitam examinar a questão em seus diversos aspectos.


“Queremos reunir cinco mil pessoas da cidade e do campo para reafirmar a nossa posição de defesa da água como direito, e não como mercadoria, como ela vem sendo tratada pelas grandes corporações”, afirma Edson Aparecido, da coordenação nacional do FAMA.

Na reunião do Coletivo de Luta pela Água foi também debatido o projeto de lei enviado em regime de urgência pelo governador Geraldo Alckmin para a Assembleia Legislativa e que pode resultar na privatização da Sabesp — a empresa de abastecimento do Estado. Segundo o projeto, o governo do Estado transferirá as ações da Sabesp para uma controladora, autorizando-a a vender os papéis a pretexto de captar recursos.

“Somos contra esse projeto porque não ele dá garantia nenhuma de que os recursos obtidos com a venda das ações da sociedade controladora vão efetivamente retornar em investimentos para o saneamento no estado de São Paulo”, sustenta a cientista política Francisca Adalgisa da Silva, diretora-presidente da Associação dos Profissionais Universitários da Sabesp. “E também porque abre brechas para privatizar a gestão da empresa, o que é uma experiência negativa em casos analisados, tanto nacionais quanto internacionais.”

Fonte: Outras Palavras

RBCM. Laboratório de Investigação do Espaço da Arquitetura. Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Centro de Artes e Comunicação. UFPE . Recife — PE. (81) 2126.7362